quarta-feira, 27 de junho de 2012

As Crônicas de Artur

As Crônicas de Artur é uma trilogia de livros escrita por Bernard Cornwell sobre a lenda do Rei Artur. A história é escrita como uma mistura de ficção histórica e mitologia Arturiana. 


Estou lendo a mais de 6 meses já...
História difícil e meio complicada de ser ler, trechos e discussões gigantescas, um enredo que encanta e uma historia marcante definem bem essa saga.
Confesso que não é tão atrativa quanto Eraron.
O mundo não é tão grande quanto o do Senhor dos Anéis.
E não cativa igual Harry Potter.
As batalhas são muito bem narradas só que tudo demora um pouco d+ para acontecer... Mas no fim vale a pena   esperar. Artur nesta saga pelo menos, entende e sabe como ganhar uma Batalha.

Tenho muitos trechos que adorei e gostaria de postar.
Vou dar uma revisada e em breve posto os trechos dos livros Inimigo de Deus e O Rei do Inverno.





Excalibur





Trecho Excalibur - Ceinwyn

Ceinwyn era minha esposa como eu era seu esposo, embora ela tivesse prestado o juramento de nunca se casar. Ela voltou com as nossas duas filhas no início do Outono, e confesso que não me senti verdadeiramente feliz enquanto ela não chegou.

Encontrei-me com ela na estrada, a sul de Glevum e apertei-a por longo tempo nos meus braços, pois houvera momentos em que pensara que não mais a veria. Era umaperfeição, a minha Ceinwyn, uma princesa de cabelos de ouro.

Ceinwyn 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quebre o Copo!!!


(trecho de “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”)

E teria que pagar um preço: a iniciativa. Porque a mulher paga o preço mais alto: a entrega.
Ficamos de mãos dadas por um longo tempo. Lia em seus olhos os medos ancestrais que o verdadeiro amor coloca como provas a serem vencidas. Li a lembrança da rejeição da noite anterior, o longo tempo que passamos separados, os anos no mosteiro em busca de um mundo onde estas coisas não aconteciam.
Lia em seus olhos as milhares de vezes em que havia imaginado este momento, os cenários que construíra ao nosso redor, o cabelo que eu devia estar usando e a cor da minha roupa. Eu queria dizer “sim”, que ele seria bem-vindo, que o meu coração havia vencido a batalha. Queria dizer o quanto o amava, o quanto o desejava naquele momento.
Mas continuei em silêncio. Assisti, como se fosse um sonho, à sua luta interior. Vi que tinha diante dele o meu “não”, o medo de me perder, as palavras duras que escutou em momentos semelhantes – porque todos passamos por isto, e acumulamos cicatrizes.
Seus olhos começaram a brilhar. Sabia que estava vencendo todas aquelas barreiras.
Então soltei uma das mãos, peguei um copo e coloquei na beirada da mesa.
– Vai cair – disse ele.
– Exato. Quero que você o derrube.
– Quebrar um copo?
Sim, quebrar um copo. Um gesto aparentemente simples, mas que envolvia pavores que nunca chegaremos a compreender direito. O que há de errado em quebrar um copo barato – quando todos nós já fizemos isto sem querer alguma vez na vida?
– Quebrar um copo? – repetiu ele. – Por quê?
– Posso dar algumas explicações – respondi. – Mas, na verdade, é apenas por quebrar.
– Por você?
– Claro que não.
Ele olhava o copo de vidro na beira da mesa – preocupado com que caísse.
“É um rito de passagem, como você mesmo fala”, tive vontade de dizer. “É o proibido. Copos não se quebram de propósito. Quando entramos em restaurantes ou em nossas casas, tomamos cuidado para que os copos não fiquem na beira da mesa. Nosso universo exige que tomemos cuidado para que os copos não caiam no chão.
Entretanto, continuei pensando, quando os quebramos sem querer, vemos que não era tão grave assim. O garçom diz “não tem importância”, e nunca na vida vi um copo quebrado ser incluído na conta de um restaurante. Quebrar copos faz parte da vida e não causamos qualquer dano a nós, ao restaurante, ou ao próximo.
Dei um esbarrão na mesa. O copo balançou, mas não caiu.
– Cuidado! – disse ele, instintivamente.
– Quebre o copo – eu insisti.
Quebre o copo, pensava comigo mesma, porque é um gesto simbólico. Procure entender que eu quebrei dentro de mim coisas muito mais importantes que um copo, e estou feliz por isto. Olhe para a sua própria luta interior e quebre este copo.
Porque nossos pais nos ensinaram a tomar cuidado com os copos, e com os corpos. Ensinaram que as paixões de infância são impossíveis, que não devemos afastar homens do sacerdócio, que as pessoas não fazem milagres, e que ninguém sai para uma viagem sem saber aonde vai.
Quebre este copo, por favor – e nos liberte de todos estes conceitos malditos, esta mania que se tem de explicar tudo e só fazer aquilo que os outros aprovam.
– Quebre este copo – pedi mais uma vez.
Ele fixou seus olhos nos meus. Depois, devagar, deslizou sua mão pelo tampo da mesa, até tocá-lo. Num rápido movimento, empurrou-o para o chão.
O barulho do vidro quebrado chamou a atenção de todos. Em vez de disfarçar o gesto com algum pedido de desculpas, ele me olhava sorrindo – e eu sorria de volta.