segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Precisamos falar sobre o Kevin, 2° Trecho

Assim que a casa foi posta a venda no mercado, choveram propostas.Não porque as pessoas não soubessem; porque sabiam. Nossa casa alcançou muito mais do que valia - mais de três milhões de dólares. Na minha ingenuidade, não compreendi que a fama da casa era seu ponto forte. Enquanto fuçavam em nossa despensa, pelo visto os casais emergentes iam imaginando, cheios de jubilo, momentos de glória no jantar que ofereciam por ocasião de inauguração.

 [Tim-Tim!] Atenção , todo mundo. Agora eu vou propor um brinde, mas antes , vocês nem imaginam de quem nós compramos esta casa. Estão todos preparados para ouvir?EVA KHATCHADOURIAN... Conhecem? Podem apostar. Para onde mais nós iríamos nos mudar? Para Gladstone, claro!... É, aquela KHATCHADOURIAN, Pete. que outras KHATCHADOURIANS que você conheceu na vida . Meu Deus, como é lento esse cara.
...Isso mesmo, "Kevin Ketchup". Tive que desapontar o garoto. Vai me desculpar, eu disse, mas o Kevin Ketchup não pode estar assombrado o seu quarto, porque o desgraçado miserável continua vivinho da silva, em algum presidio juvenil estadual. Se fosse por mim, cara, aquele mequetrefe tinha pego cadeira elétrica...Não, não foi tão ruim quanto em Colombine. Quantos foram, dez, meu bem? Nove, certo, sete garotos, dois adultos. A professora que ele matou era meio que a grande defensora do moleque, coisa assim. E eu não entro nessa de ficar culpando os vídeos, o rock. Nós crescemos escutando rock, é ou não é? E nenhum de nós saiu feito doido matando todo mundo na escola. Veja o 
Lawrence. O garoto adorava ver sangue na televisão , não importa quão realista seja, ele nem pisca. Mas quando o coelho dele foi atropelado? Chorou durante uma semana. Eles sabem ver a diferença.
  Nós estamos criando nosso filho para saber o que é certo e o que é errado. Talvez pareça injusto, mas a gente no fim tem que se perguntar sobre o país.

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